Sobre a autoria da vida e a responsabilidade na abordagem existencial

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Sergio Anufriev
Psicólogo, terapeuta existencial, terapeuta EMDR
📅 Data: 01.02.2026
⏱ Leitura: 3 min
📂 Categoria: Terapia existencial
🎓 Prática: desde 2002

Na abordagem existencial, a responsabilidade não é entendida como uma obrigação externa, mas como uma condição fundamental da existência humana. Ela não aparece quando algo é atribuído à pessoa e ela deve cumprir, mas no momento em que reconhece sua própria participação em como sua vida se desenrola. Não se trata de culpa, de moralismo nem de uma exigência de fazer algo e, ao final, «a culpa é sua».

Trata-se de reconhecer-se como autor do próprio caminho – dentro dos limites impostos pelas circunstâncias, pela biografia, pelas limitações do corpo e do tempo.

A responsabilidade como capacidade de responder

A terapia existencial entende a responsabilidade como a capacidade de responder aos desafios da vida. Não de controlar tudo, mas justamente de responder – escolher a própria atitude, a própria ação, o próprio modo de ser.

Os clientes frequentemente chegam à terapia com a sensação de que sua vida «simplesmente acontece»: as decisões são tomadas por outros, os acontecimentos se acumulam, as circunstâncias ditam, a esposa vai embora, os filhos crescem, as pessoas morrem, o emprego se perde, o empregador deixa de pagar, ou «me demitiram».

Por trás disso está o desejo natural de segurança: se a responsabilidade está em algum lugar fora, é possível evitar o erro, a dor, as consequências. Assim se alcança um estado de segurança. Mas junto com isso desaparece o sentido de autoria e, em geral, o sentido da própria vida, e a pessoa se sente não realizada ao permanecer nessa posição segura.

E o sentido da própria vida, a sensação de que você está vivendo, e não apenas existindo – são duas coisas muito diferentes. E em algum momento essa segunda começa a incomodar profundamente, e às vezes termina de forma trágica: a pessoa viveu sua vida, mas não deixou nenhum rastro significativo. E a tragédia pode estar no fato de que esse reconhecimento chega tarde demais.

Um diretor brasileiro disse: «Em algum momento você se tornará uma plaquinha com nome e datas. Talvez, no melhor dos casos, uma rua receberá o seu nome».

O trabalho do terapeuta

O trabalho do terapeuta consiste em devolver à pessoa a sensação de sua própria inclusão e devolver essa autoria. Não empurrar para a escolha «certa», mas ajudar a ver o espaço de liberdade que já existe, reconhecer as causas e as circunstâncias que fizeram de você quem você é, e confrontar com os próprios recursos.

Pode ser a liberdade dos pequenos passos: dizer «não», formular as próprias necessidades, perceber os próprios desejos, dar espaço a esses desejos. E são justamente esses passos que vão abrindo gradualmente um sentimento interior: «eu influencio», «eu participo», «eu posso escolher a forma de viver o que é meu».

A dualidade da responsabilidade

A responsabilidade na abordagem existencial é sempre dupla. Por um lado – a liberdade: a pessoa é capaz de escolher uma direção, de iniciar mudanças e de tomar decisões. Por outro – a limitação: nem tudo está em seu poder, nem todas as consequências são previsíveis, nem toda tentativa leva ao resultado desejado. Na terapia, é importante reconhecer os dois lados.

A responsabilidade só não se torna um fardo quando a pessoa compreende: ela responde por suas ações, mas não pelo mundo inteiro ao redor; pela escolha, mas não pelo que não é escolhido.

A responsabilidade como fonte de sentido

Gradualmente, o cliente aprende a encarar a responsabilidade não como uma exigência opressora, mas como uma possível fonte de sentido – ela se torna sua própria energia e força, o sentido da vida. Ela se torna um apoio interno: a experiência de que a vida ganha forma graças à sua participação.

E então a pergunta soa de outro modo: não «por que sou responsável por algo?» – ela se transforma em afirmação interrogativa: «Que tipo de vida eu quero viver para mim mesmo? Eu escolho e eu ajo».

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