| Autores | First M. B., Williams J. B. W., Benjamin L. S., Spitzer R. L. |
| Ano | 2016 |
| Editora | American Psychiatric Association |
| Extensão | 106 afirmações, respostas «sim» / «não» |
| Tempo | 15–20 minutos |
| Tipo | Triagem autoaplicada para a entrevista SCID-5-PD |
O que é
O SCID-5-SPQ é a parte autoaplicada do sistema SCID-5, destinado a avaliar transtornos da personalidade pelos critérios do DSM-5. São 106 afirmações que abrangem os dez transtornos da personalidade, agrupados em três clusters.
A característica-chave, da qual decorre todo o resto: cada item corresponde à primeira pergunta do respectivo critério na entrevista clínica SCID-5-PD. Ou seja, este questionário é usado junto com a entrevista clínica, e não como instrumento diagnóstico autônomo capaz de lhe dar um diagnóstico. Por exemplo, se a pessoa responde «não», aquele item é pulado na entrevista. Foi para economizar tempo de entrevista que o questionário existe.
O que o instrumento faz
Encurta a entrevista clínica. O SCID-5-PD completo é longo, e aplicá-lo inteiro a todos é irracional: boa parte das perguntas não terá relação com o caso.
Fornece uma lista de temas. As respostas afirmativas indicam o que vale a pena perguntar em detalhe: desde quando, em que situações, com que consequências.
O que ele não faz
Não dá diagnóstico nem se aproxima disso. O questionário não verifica a estabilidade do padrão, sua presença em diferentes áreas da vida, nem se ele causa sofrimento ou prejuízo. Sem essas condições, os critérios diagnósticos descrevem apenas traços que muitas pessoas têm em algum grau.
Não distingue estado de caráter. Quem está num período difícil — após uma separação, num episódio depressivo, sob estresse agudo — responde a partir de como está agora. A instrução pede que se responda «como costuma ser ao longo da maior parte da vida», mas cumprir esse pedido de dentro de um estado ruim é quase impossível.
Não possui interpretação oficial por pontuação. O editor descreve o instrumento como meio de pular itens da entrevista, não como escala com pontos de corte.
Como ler o resultado
O modo sensato é ler o resultado como uma lista de temas, não de diagnósticos. Ele mostra quais descrições ressoaram em você — é por aí que faz sentido começar a conversa com um profissional.
O inverso também vale: poucas coincidências não significam que está tudo bem. Significam que houve poucas correspondências com essas descrições específicas.
Há uma dificuldade ligada ao próprio objeto. O autorrelato funciona bem quando a pessoa sofre com o sintoma e o percebe. Traços de personalidade são vividos de outro modo: não como «há algo errado comigo», e sim como «o mundo é assim». Por isso é possível também a subestimação — quando não há com o que comparar.
Limitações
- Instrumentos de triagem são calibrados para quase não deixar passar quem tem o problema. O preço disso é um grande número de falsos positivos; é uma propriedade do desenho, não um defeito.
- Os índices de acurácia conhecidos para o antecessor do instrumento (SCID-II-PQ) vêm de amostras de internação psiquiátrica, onde a prevalência é alta. Num site público ela é incomparavelmente menor, e portanto a proporção de coincidências equivocadas entre os resultados positivos é bem maior.
- Dados publicados de validade do próprio SCID-5-SPQ praticamente inexistem: na preparação desta página, o PubMed continha um único trabalho que usou o instrumento, com conclusões negativas quanto ao valor preditivo do autorrelato.
- A versão em português utilizada neste site é uma tradução de trabalho e não passou por procedimento próprio de validação.
Responder ao questionário SCID-5-SPQ
Fontes
- American Psychiatric Association. Structured Clinical Interview for DSM-5 Personality Disorders (SCID-5-PD) — https://www.appi.org/structured_clinical_interview_for_dsm-5_personality_disorders_scid-5-pd
- First M. B., Williams J. B. W., Benjamin L. S., Spitzer R. L. (2016). SCID-5-PD. American Psychiatric Association — fonte primária
- van den End A. e cols. (2023). Self-rated personality disorder symptoms do not predict treatment outcome for PTSD. Clinical Psychology & Psychotherapy, 30(6), 1338–1348 — https://doi.org/10.1002/cpp.2933
- Fowler J. C. e cols. (2017). Comprehensive Psychiatry, 80, 97–103 — acurácia do antecessor — https://doi.org/10.1016/j.comppsych.2017.09.003
Aqui normalmente se escreve «procure um especialista». O especialista sou eu, e recomendar a si mesmo é constrangedor. Então, simplesmente: se o resultado preocupou você — escreva.
Esta página tem caráter informativo. Nenhum questionário serve de base para diagnóstico.

