| Autores | Derogatis L. R., Lipman R. S., Covi L. — SCL-90 original; versão revisada — Derogatis L. R. |
| Ano | 1973 (SCL-90), revisão — SCL-90-R |
| Editora | Psychopharmacology Bulletin, 9(1), 13–28 |
| Extensão | 90 afirmações, escala 0–4; 83 itens distribuídos em nove escalas, outros sete entram apenas nos índices globais |
| Tempo | 12–15 minutos |
| Tipo | Autorrelato de sintomas dos últimos 7 dias |
O que é
O SCL-90-R é um dos questionários mais difundidos no mundo para avaliar o estado psíquico. A pessoa indica o quanto cada um dos 90 sintomas a incomodou na última semana.
As respostas formam nove escalas: somatização, sintomas obsessivo-compulsivos, sensibilidade interpessoal, depressão, ansiedade, hostilidade, ansiedade fóbica, ideação paranoide, psicoticismo. E mais três índices globais, dos quais o principal é o índice geral de gravidade: a média de todos os itens.
É importante entender a finalidade: trata-se de um medidor de nível, não de um determinador de doença. Os nomes das escalas coincidem com nomes de transtornos, mas a escala «depressão» não diagnostica depressão.
O que o instrumento faz
Mostra o nível geral de sofrimento psíquico num único número. É o dado mais confiável que se extrai do instrumento.
Acompanha bem as mudanças. A reaplicação após semanas ou meses mostra a evolução, e é para isso que o método costuma ser usado ao longo da terapia.
Funciona como filtro inicial: ajuda a perceber que o estado ultrapassa os limites habituais.
O que ele não faz
Não dá diagnósticos por nenhuma das nove escalas. A coincidência dos nomes com categorias diagnósticas cria a impressão enganosa de que um «psicoticismo» alto diz algo sobre psicose. Não diz.
Não fornece um perfil confiável. As nove escalas são fortemente correlacionadas: em pacientes psiquiátricos um único fator geral explica cerca de 42% da variância, e a estrutura de nove fatores não se reproduz nessas amostras. Num estudo alemão de validação a análise fatorial também não sustentou o modelo original de nove fatores.
Não separa estado prolongado de agudo. A janela é de uma semana.
Como ler o resultado
A ordem sensata de leitura: primeiro o nível geral, depois o resto. O índice geral de gravidade é o motivo pelo qual vale a pena responder ao questionário.
Ao formato do perfil convém tratar com cautela, sobretudo se o nível geral está alto: no sofrimento acentuado todas as escalas sobem juntas.
Um pico isolado sobre um fundo em geral tranquilo é mais informativo do que o pico mais alto entre nove escalas elevadas.
Limitações
- O debate sobre a estrutura fatorial não está encerrado. Trabalhos em amostras clínicas encontram um fator dominante de sofrimento geral e não reproduzem as nove escalas; trabalhos em amostras da população geral — por exemplo, em dois grupos independentes de adolescentes italianos — reproduzem a estrutura de nove fatores com boa confiabilidade. Conclusão prática: quanto mais grave o estado de quem responde, menos sentido faz analisar o perfil.
- Mesmo os críticos concordam que, como medida de nível geral e instrumento de acompanhamento, o método é útil. O que se contesta é o detalhamento.
- O autorrelato de sintomas é sensível à disposição de quem responde.
- A versão em português utilizada neste site é uma tradução de trabalho e não passou por procedimento próprio de validação.
Responder ao questionário SCL-90-R
Fontes
- Derogatis L. R., Lipman R. S., Covi L. (1973). SCL-90: an outpatient psychiatric rating scale. Psychopharmacology Bulletin, 9(1), 13–28 — fonte primária — https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/4682398/
- Rauter U. K., Leonard C. E., Swett C. P. (1996). Journal of Clinical Psychology, 52(6), 625–629 — um fator geral explica 42% da variância — https://doi.org/10.1002/(SICI)1097-4679(199611)52:6<625::AID-JCLP4>3.0.CO;2-J
- Schmitz N. e cols. (2000). Quality of Life Research, 9(2), 185–193 — a análise fatorial não sustentou o modelo de nove fatores — https://doi.org/10.1023/a:1008931926181
- Preti A., Carta M. G., Petretto D. R. (2018). Psychiatry Research, 272, 491–498 — em amostras da população geral as nove escalas se reproduzem — https://doi.org/10.1016/j.psychres.2018.12.146
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Esta página tem caráter informativo. Nenhum questionário serve de base para diagnóstico.

