Em resumo. A terapia de curto prazo vai de alguns encontros a duas dezenas, para um sintoma específico: pânico, fobia, uma obsessão isolada. A de longo prazo dura meses e anos, para aquilo que se repete de relação em relação, para o trauma e para traços da personalidade. Os encontros costumam ser semanais. Na minha prática, os primeiros dez a quinze encontros vão para a história e o contrato, e só depois deles se vê o tamanho do trabalho à frente. Mais rápido não significa pior, mais longo não significa melhor: o formato e a duração são definidos não tanto pela tarefa em si, mas pela natureza dela.
Nesta breve nota, procurarei descrever os princípios de funcionamento de diferentes formatos – a terapia de curto prazo e a terapia de longo prazo. Em que uma é melhor do que a outra? Para que serve a primeira e a segunda?
A terapia de longo prazo e a de curto prazo apoiam-se em princípios de trabalho, profundidade de análise e resultados esperados distintos. Ambas as formas têm seus próprios critérios de eficácia e atendem a categorias diferentes de demandas.
Terapia de curto prazo
A terapia de curto prazo costuma ser limitada no tempo – de alguns encontros a algumas dezenas de sessões. Seu objetivo é uma atuação focada sobre um sintoma, um problema ou um padrão de comportamento específico.
Os critérios dessa forma são claros: demanda bem definida, mensurabilidade do resultado, previsibilidade do protocolo. O terapeuta trabalha dentro de um enquadramento delimitado de antemão, utilizando técnicas estruturadas: intervenções cognitivas, exposições, experimentos comportamentais.
As vantagens da terapia de curto prazo são a economia, o alto grau de estruturação, a dinâmica rápida e os passos bem definidos. Ela é especialmente eficaz em sintomas isolados: ataques de pânico, fobias, obsessões pontuais, dificuldades de comportamento.
As desvantagens são a profundidade limitada, o risco de retorno do problema quando este está ligado a conflitos mais antigos e a pouca flexibilidade diante de uma história pessoal complexa.
Terapia de longo prazo
A terapia de longo prazo, ao contrário, não se limita a um prazo definido de antemão. Seus critérios são uma aliança estável, a investigação dos padrões de relacionamento, o trabalho com dinâmicas profundas, com o trauma e com características da personalidade. Ela pressupõe a revelação gradual de conflitos internos, frequentemente inclui processos regressivos, ciclos repetidos de vivências e a mudança não apenas do comportamento, mas também do modo de perceber a si mesmo e aos outros.
As vantagens da terapia de longo prazo são a abrangência, a possibilidade de reestruturar traços de caráter e a formação de mudanças duradouras. Ela é forte no trabalho com dificuldades crônicas: roteiros de relacionamento que se repetem, vivências traumáticas, distúrbios do senso de si e transtornos de personalidade.
As desvantagens são a duração, o custo financeiro e a necessidade de um envolvimento considerável por parte do cliente.
Como isso se dá no trabalho comigo
Trabalho na abordagem existencial, e isso não é «longas conversas sobre o sentido da vida». A terapia existencial incorporou a psicanálise, os métodos cognitivo-comportamentais e o EMDR; por isso, dentro de um único trabalho de longo prazo aparecem também trechos curtos e estruturados: o reprocessamento de uma memória específica, o treino de uma habilidade específica. A diferença em relação à terapia de curto prazo «pura» é que esses trechos estão embutidos na compreensão da história da pessoa, e não a substituem. Nos primeiros dez a quinze encontros estudamos justamente essa história, e já nessa etapa parte das pessoas recebe aquilo que veio buscar: um quadro claro do que acontece com elas e por quê.
Diferenças qualitativas e quantitativas
As diferenças qualitativas dos resultados manifestam-se na amplitude das mudanças. A terapia de curto prazo costuma produzir um efeito pontual: redução do sintoma, aprimoramento de uma habilidade específica, diminuição do nível de sofrimento. A de longo prazo – a transformação das formas de reagir, o fortalecimento da identidade, a mudança estável dos relacionamentos e dos estilos emocionais.
As diferenças quantitativas refletem-se na estabilidade e na duração do efeito. Na terapia de curto prazo as mudanças ocorrem mais rapidamente, mas podem ser menos duradouras diante de problemas profundos. Na de longo prazo, o progresso é mais lento, porém os efeitos costumam ser mais estáveis, pois atingem os níveis fundamentais da psique.
Quantas sessões são necessárias e do que isso depende
De três coisas. Da demanda: um evento único e recente e um padrão que se arrasta desde a infância são volumes de trabalho diferentes. Do que há sob a demanda: «quero ficar mais seguro» no primeiro encontro é quase sempre a ponta sob a qual estão déficits e traumas, e o volume exato só fica claro depois que os vemos. E da vida fora do consultório: a terapia anda em paralelo a ela, não no lugar dela. Por isso, à pergunta «quanto tempo vai levar», a resposta honesta no primeiro encontro é «depois de percorrer a história, digo com mais precisão». Quem dá um número antes de conhecer a história está tirando o número da cabeça.
Objetivamente, uma forma não é melhor do que a outra: cada uma se adequa à sua demanda, ao tempo, aos recursos e aos objetivos do cliente.





