| Autores | Fraley R. C., Waller N. G., Brennan K. A. |
| Ano | 2000 |
| Editora | Journal of Personality and Social Psychology, 78(2), 350–365 |
| Extensão | 36 afirmações: 18 de ansiedade, 18 de evitação |
| Tempo | 10–15 minutos |
| Tipo | Autorrelato sobre apego em relacionamentos amorosos |
O que é
O ECR-R não surgiu como um questionário novo, criado do zero, e sim como resultado da reavaliação dos já existentes. Os autores tomaram quatro instrumentos difundidos de medida do apego e os submeteram à teoria de resposta ao item numa amostra de 1085 pessoas.
A conclusão foi desfavorável aos instrumentos anteriores: a forma habitual de pontuar — somar ou tirar a média das respostas — leva a inferências equivocadas sobre a estabilidade do apego. Dessa crítica nasceu o ECR-R: 36 itens escolhidos para discriminar as pessoas em toda a faixa, e não apenas nos extremos.
Medem-se duas escalas contínuas independentes: ansiedade — medo de rejeição e necessidade de confirmação, e evitação — desconforto com a proximidade e a dependência.
O que o instrumento faz
Fornece a posição em duas escalas. Dois números são o resultado; todo o resto é interpretação deles.
Serve para acompanhar mudanças. Numa verificação independente, a reaplicação após três semanas apresentou 85% de variância compartilhada — o indicador é estável, e seus deslocamentos são significativos.
O que ele não faz
Não fornece um «tipo de personalidade». Os quatro estilos — seguro, ansioso, evitativo, ansioso-evitativo — são a divisão de duas escalas contínuas em quatro células. As fronteiras são convencionais; nas escalas elas não existem.
Não descreve os relacionamentos em geral. Na verificação de Sibley e cols., o instrumento explicou de 30% a 40% das diferenças nas vivências durante a interação com o parceiro amoroso — e apenas de 5% a 15% na interação com família e amigos.
Não reconstrói a história infantil. A teoria do apego liga a experiência precoce à posterior, mas o questionário pergunta sobre os relacionamentos atuais.
Como ler o resultado
Vale olhar os dois números, não o nome da célula. «Ansiedade alta, evitação baixa» é uma descrição. «Tipo ansioso» é um rótulo que acrescenta convicção, não informação.
Se ambos os indicadores estão próximos do meio, o nome do estilo quase nada significa: numa nova aplicação ele muda com facilidade, embora nada tenha mudado na vida.
O resultado descreve o período atual, não uma propriedade permanente.
Limitações
- Os quatro estilos não são o que o questionário mede, e sim um modo de resumir seu resultado. Foi exatamente contra esse tipo de simplificação que os autores advertiram no trabalho original.
- O instrumento foi desenvolvido e verificado no contexto amoroso. Não há base para transferir o resultado para amizades, relações de trabalho ou relações entre pais e filhos.
- O autorrelato sobre intimidade é sensível ao estado atual do relacionamento.
- Existe uma adaptação brasileira validada — a ECR-R-Brasil de Natividade e Shiramizu (2015), verificada em 4879 adultos —, mas ela é uma versão reduzida de 10 itens. A versão aplicada neste site é a completa, de 36 itens, em tradução de trabalho: os dados de validação da versão reduzida não se transferem automaticamente para ela.
Responder ao questionário ECR-R
Fontes
- Fraley R. C., Waller N. G., Brennan K. A. (2000). An item response theory analysis of self-report measures of adult attachment. JPSP, 78(2), 350–365 — fonte primária — https://doi.org/10.1037/0022-3514.78.2.350
- Sibley C. G., Fischer R., Liu J. H. (2005). Reliability and validity of the ECR-R. Personality and Social Psychology Bulletin, 31(11), 1524–1536 — https://doi.org/10.1177/0146167205276865
- R. Chris Fraley (Universidade de Illinois). Itens do ECR-R e materiais sobre teoria do apego — https://labs.psychology.illinois.edu/~rcfraley/measures/ecrritems.htm
- Natividade J. C., Shiramizu V. K. M. (2015). Uma medida de apego: versão brasileira da Experiences in Close Relationship Scale — Reduzida (ECR-R-Brasil). Psicologia USP — adaptação brasileira da versão de 10 itens — https://revistas.usp.br/psicousp/article/view/109985
Aqui normalmente se escreve «procure um especialista». O especialista sou eu, e recomendar a si mesmo é constrangedor. Então, simplesmente: se o resultado preocupou você — escreva.
Esta página tem caráter informativo. Nenhum questionário serve de base para diagnóstico.

