Psicólogo para TEPT
Se você chegou aqui depois de um teste com pontuação alta, comece pelo principal: o teste não decidiu nada. Ele mostrou que as descrições fizeram sentido para você. Isso é motivo para investigar, não um diagnóstico.
| Abordagens | EMDR e EMDR 2.0, terapia existencial, gestalt |
| Idiomas | Português, inglês, russo |
| Atendimento | Terça a sexta, 14h–00h (horário de Moscou) |
Em resumo. No TEPT, quem ajuda é um psicólogo que trabalha com trauma, e não «com ansiedade em geral». Sou psicólogo de orientação existencial-humanista e terapeuta EMDR (mais sobre mim na página inicial): o EMDR e sua versão ampliada, o EMDR 2.0, tiram a carga das memórias que ficaram presas; a terapia existencial cuida do que o trauma quebrou na imagem de mundo. Não é preciso um diagnóstico para começar; um psiquiatra é necessário em quadro atual grave, e eu digo isso diretamente. Num trauma único, fala-se em alguns encontros; num trauma complexo, em meses. Online, em português, inglês ou russo.
Com o que as pessoas costumam chegar
Quase ninguém chega dizendo «tenho transtorno de estresse pós-traumático». Chegam com outra coisa:
- O evento foi há muito tempo, mas a reação parece de ontem. Um cheiro, um som, uma virada na conversa – e o corpo responde como se tudo estivesse acontecendo de novo.
- A vida foi se estreitando aos poucos. Não passar por aquela rua, não ver notícias, não ficar sozinho, não dormir no escuro. Cada evitação isolada é razoável, mas juntas elas comeram metade do que era possível.
- O sono. Ou a falta dele, ou sonhos depois dos quais se acorda mais cansado do que ao deitar.
- Explosões que a própria pessoa não entende. Descontou nos próximos por bobagem e depois ficou a vergonha e o medo: o que há comigo.
- «Mas comigo não aconteceu nada de tão grave.» Esse é um caso à parte e muito frequente – quando o trauma se acumulou não de um evento, mas de algo prolongado: infância, relações, trabalho, guerra ao fundo.
TEPT e TEPT complexo são coisas diferentes
A distinção não é acadêmica: dela depende como o trabalho se organiza.
O TEPT costuma nascer de um evento concreto: um acidente, um assalto, uma catástrofe, uma perda. Há um ponto no tempo, um antes e um depois.
O TEPT complexo nasce de algo prolongado, repetido e de onde não era possível sair. Aos sintomas do TEPT soma-se o que atinge a própria pessoa: a sensação persistente de estar estragada por dentro, a dificuldade de suportar os próprios sentimentos e a capacidade destruída de estar próximo de alguém.
Por isso, no segundo caso não faz sentido «reprocessar o episódio» – episódio, como tal, não existe. O trabalho é mais longo e tem outra estrutura.
Como é o primeiro encontro
O primeiro encontro é uma conversa, não um procedimento. Eu pergunto o que trouxe você, o que acontece agora e como você vive com isso. Importa-me entender não tanto o evento, mas o modo como ele continua tocando você.
Não peço que você relate o evento traumático em detalhes no primeiro encontro. Esse é um medo comum, e ele tem fundamento: um relato detalhado sem preparo pode piorar o estado. Primeiro é preciso um apoio – um jeito de voltar ao presente se a coisa apertar. Só depois todo o resto.
Em seguida combinamos com o que vamos trabalhar e em que ritmo. O ritmo é seu. Não é fórmula de cortesia: no trauma, a sensação de ser conduzido para onde não se está pronto reproduz exatamente aquilo que trouxe a pessoa até aqui.
Psicólogo ou psiquiatra no TEPT?
Ao psiquiatra – quando o estado não deixa funcionar: o sono sumiu por semanas, há pensamentos de não querer viver, há uma dependência ativa, a crise é tal que não dá para sair de casa. Os medicamentos reduzem os sintomas, mas não reprocessam a memória – isso é trabalho do psicólogo, e pode ser feito em paralelo ao uso de remédios. Se no primeiro encontro eu perceber que antes é preciso um médico, digo na hora e ajudo a se orientar sobre a quem procurar.
Como eu trabalho
EMDR
Método criado especificamente para reprocessar memórias traumáticas. Em resumo, funciona assim: você mantém em mente a lembrança difícil e ao mesmo tempo executa uma tarefa que ocupa a memória de trabalho – na maioria das vezes, acompanha um movimento com os olhos. A lembrança não desaparece, mas deixa de ser tão vívida e carregada. Mais detalhes no meu artigo sobre como os movimentos oculares ajudam no trauma.
EMDR 2.0
Aqui se usam diferentes tipos de estimulação bilateral – não só movimentos oculares, mas também auditiva e cinestésica. A elas somam-se técnicas hipnóticas ericksonianas e clássicas, recursos imaginativos e elementos da terapia cognitivo-comportamental.
O sentido dessa construção é que a memória de trabalho fica mais sobrecarregada e o reprocessamento passa por várias modalidades de percepção ao mesmo tempo, e não por uma só. Pela minha experiência, isso funciona de modo perceptivelmente mais potente que o protocolo da primeira versão.
À parte, a versão 2.0 inclui protocolos ampliados: trabalho com dependências, com TEPT complexo e com aqueles quadros em que a primeira versão se mostra pouco eficaz.
O método é jovem: na prática se mostra bem, mas há poucas publicações. Se interessar o lado da pesquisa – o primeiro trabalho em que a 2.0 foi comparada ao protocolo comum.
Terapia existencial
Depois de uma série de eventos difíceis, quebra-se não só o sono, e não se trata apenas dos pesadelos que voltam vez após vez. Muitas vezes quebra-se a própria estrutura do mundo e a ideia que a pessoa faz dele: que o mundo é em geral previsível, que isso não vai acontecer com você, que você é capaz de influir em alguma coisa. Nenhum reprocessamento de memórias conserta isso por si só.
É aqui que trabalha a abordagem existencial, que aprendi com seguidores da escola de James Bugental. Ela alcança várias áreas da vida ao mesmo tempo. É complexa e pouco previsível – porque a psique de uma pessoa concreta é, em princípio, pouco previsível. Ocupa bem mais tempo, trabalha com camadas profundas e é capaz de trazer à consciência aquilo que não se alcança nem sozinho, nem por abordagens clássicas mais superficiais, que de saída estreitam o volume da vida psíquica.
Gestalt-terapia
Meus supervisores e meus terapeutas pessoais trabalham na abordagem gestáltica, e eu mesmo comecei meu caminho profissional justamente por ela. Por isso há no meu trabalho muitos elementos de trabalho com sentimentos, necessidades e fronteiras de contato.
É sobre como a pessoa entra em contato consigo mesma: se ela não rompe o contato com a própria responsabilidade, com os próprios sentimentos, com as próprias necessidades. E, se rompe, olhamos como isso se conserta.
A gestalt não contradiz a abordagem existencial. Ela a amplia e organiza aquilo que, na terapia existencial, às vezes parece difuso.
Como isso se dá no trabalho comigo
Aquilo com que as pessoas chegam – «não consigo dormir», «desconto nos próximos», «a crise vem no metrô» – é quase sempre a ponta do iceberg. Sob um evento costuma haver uma história: o que houve antes dele, quem estava por perto, o que ele ensinou sobre o mundo e sobre si. Por isso, nos primeiros encontros não «reprocessamos o trauma», mas entendemos essa história e combinamos o ritmo. O ritmo é seu, e eu não forço o passo, mesmo quando parece que precisava ser mais rápido: no trauma, a pressa reproduz exatamente aquilo que trouxe a pessoa até aqui.
O EMDR aqui não é um procedimento à parte, mas um instrumento dentro de um trabalho mais amplo. Ele tira a carga da memória; depois, olhamos o que fazer com um mundo que, após esse evento, deixou de ser previsível – essa já é a parte existencial, e ela leva mais tempo do que o próprio reprocessamento.
E, com franqueza, sobre expectativas: a terapia não é uma pílula mágica. O resultado depende não só de nós dois, mas também do que acontece na sua vida fora dos nossos encontros. Ela é uma boa ajudante para se orientar num mundo que muda de forma caótica. Ajudante, não salvadora.
O que não se deve esperar
- As lembranças não serão apagadas. O objetivo da terapia não é esquecer de vez o que aconteceu, mas fazer com que a memória deixe de comandar o dia de hoje e que a carga emocional do vivido diminua.
- Não é um único encontro. O trauma quase nunca se resume a um só evento ao qual a pessoa reagiu com estresse. Num caso único e recente, às vezes bastam algumas sessões; num trauma complexo, fala-se sempre em meses.
- Não serve para todos nem sempre. Em quadro atual grave, dependência ativa ou intenções suicidas, é preciso antes a avaliação de um médico, e não terapia de conversa ou de protocolo. Eu digo isso diretamente se perceber.
- Não sou médico e não prescrevo medicamentos. Se for preciso um psiquiatra, eu digo e ajudo a se orientar.
Verificar-se antes da conversa
No site há questionários gratuitos – eles não fazem diagnóstico, mas ajudam a entender sobre o que faz sentido conversar. O resultado pode ser salvo em PDF e trazido ao encontro.
Formato e valor
Valor da consulta |
R$ 500
Sessão online de ~50 minutos
Pagamento do exterior: RIA, Western Union ou transferência bancária SWIFT mediante contrato – envio os dados no agendamento.
Ainda assim mais em conta que outras plataformas!
Formato de atendimento |
Online por videochamada
Zoom, Google Meet ou outra plataforma conveniente
Primeiro encontro |
Antes de iniciar a terapia, nos encontraremos por videochamada por aproximadamente 15 minutos
Isso é gratuito para você e obrigatório para mim.
Perguntas antes do primeiro encontro
É preciso um diagnóstico para começar?
Não. Diagnóstico é coisa de médico; para começar o trabalho, basta aquilo que atrapalha a vida e não passa. O teste do site é um ponto de partida para a conversa, não um diagnóstico; o resultado pode ser trazido ao primeiro encontro.
Vou ter que contar tudo em detalhes?
Alguma coisa sobre o seu caso será preciso contar de qualquer forma – não vou contar histórias da carochinha: a terapia quase sempre exige conversa. Às vezes é justamente essa etapa que leva mais tempo: entendo perfeitamente que confiar vivências difíceis a um desconhecido pode ser muito duro.
Ainda assim, há caminhos mais leves. No EMDR, para esses casos, não apenas existe como às vezes é indicado o protocolo «terapeuta cego»: você executa as instruções em silêncio, por dentro, e eu apenas digo o que fazer em cada momento – sem saber o conteúdo daquilo com que você está trabalhando. Assim se elabora toda uma série de questões.
Passaram-se muitos anos. Não é tarde?
Não. O tempo por si só não reprocessa o trauma – se reprocessasse, ele passaria em todo mundo depois de vinte anos. Há quem procure ajuda trinta anos depois.
E se o meu trauma não for «grave o bastante»?
Esse critério não existe. O que importa não é o tamanho do evento visto de fora, mas o que ele fez com você. Comparar-se com quem «está pior» é uma das formas mais comuns de não procurar ajuda por anos.
Online funciona mesmo no trauma?
Sim, o EMDR online é aplicado e estudado. Mais do que isso: para muita gente o próprio quarto é um lugar mais seguro para esse trabalho do que um consultório desconhecido.
E se eu passar mal durante a sessão?
Isso está previsto. Antes de nos aproximarmos do material pesado, treinamos um jeito de voltar ao presente, e usamos esse recurso quantas vezes for necessário.
Qual a diferença entre TEPT e TEPT complexo?
A origem. O TEPT cresce de um acontecimento ou de alguns: acidente, agressão, combate, perda. O complexo cresce do que dura e de que não se pode escapar: anos de violência na família, humilhação, cativeiro, vida ao lado de uma pessoa imprevisível.
Daí a diferença no que dói. No TEPT, em primeiro plano vêm flashbacks, pesadelos, sobressaltos, evitação de lembranças. No complexo, soma-se a tudo isso o que atinge a própria personalidade: uma sensação persistente de estar estragado, dificuldade com os sentimentos e com as relações próximas. Por isso o trabalho é mais longo: acontecimentos dá para elaborar relativamente rápido, mas a ideia sobre si mesmo se formou ao longo de anos.
Qual a diferença entre TEPT e estresse comum?
O tempo e o modo como a memória se comporta. Depois de um acontecimento pesado quase todo mundo fica mal por algumas semanas: sono, irritabilidade, imagens intrusivas. Em geral isso vai cedendo aos poucos.
No TEPT não cede, e sim se fixa – é o que acontece quando o acontecimento foi significativo demais ou se repetiu algumas vezes, e não havia apoio por perto: a lembrança não vira passado, ela volta como se estivesse acontecendo agora, e a vida começa a se organizar em torno de evitar lembranças. Um sinal simples para si: se depois de um ou dois meses não ficou mais fácil, e sim mais habitual contornar tudo o que se liga ao acontecimento – isso já não é «só estresse».
Dá para curar o TEPT complexo?
Com honestidade: «curar» é palavra imprecisa, e promessas de um ou dois encontros eu não faço. Os sintomas cedem: pesadelos, sobressaltos, entorpecimento diminuem, e diminuem de forma perceptível. Mais difícil e mais devagar muda aquilo que já virou caráter – a espera do golpe, a vergonha de si, a impossibilidade de deixar alguém chegar perto.
Isso não quer dizer que não vai dar certo. Quer dizer que o prazo é outro: meses e anos, não semanas, e a ordem também é outra – primeiro estabilidade, depois elaboração, e não o contrário.
Há também uma condição do lado do cliente: entender a complexidade da tarefa e ir passo a passo – primeiro sono e segurança, depois a elaboração, depois as relações e a vida em torno delas. Quem espera resultado em alguns encontros costuma abandonar nos primeiros meses, tomando por fracasso uma desaceleração esperada.
Como um trauma de infância influencia a vida adulta?
Não por lembranças, e sim por conclusões. A criança não pode mudar a situação, mas pode se adaptar a ela: ficar conveniente, ficar invisível, controlar tudo, não pedir nada. Isso funciona e salva – e depois permanece, quando as circunstâncias já são outras há muito tempo.
Por isso o adulto chega não com um relato sobre a infância, e sim com «de novo escolhi a pessoa errada», «não sei descansar», «espero uma rasteira a qualquer momento». A ligação com a experiência inicial costuma aparecer já dentro do trabalho – e é justamente esse o trabalho com a raiz, e não com o sintoma.
Escreva algumas linhas sobre o que está acontecendo – já basta para começar.
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