Transtornos de personalidade: o que são de verdade

Расстройства личности: общий обзор
Sergio Anufriev
Psicólogo, terapeuta existencial, terapeuta EMDR
📅 Data: 18.08.2026
Leitura: 16 min
📂 Categoria: Transtornos de personalidade
🎓 Prática: desde 2002

Uma visão geral para quem obteve uma pontuação alta em um teste, se reconheceu na descrição de outra pessoa ou simplesmente quer entender o que está por trás das palavras que nos últimos anos saem de todo lado. Sem diagnósticos pela internet, mas também sem o consolo de «isso acontece com todo mundo».

A palavra que assusta mais do que o fenômeno

«Transtorno de personalidade» soa como veredicto final: não uma doença que se trata, mas um defeito daquilo que você é. Por isso as pessoas ou fecham a aba horrorizadas, ou, ao contrário, adotam o rótulo com alívio – finalmente há um nome para tudo o que não dava certo.

As duas reações erram o alvo. Transtorno de personalidade não é sentença, mas também não é desculpa. É a descrição de que na pessoa se repete, de forma estável, desde a juventude e em quase todas as áreas da vida, um mesmo modo de sentir, pensar e agir com os outros – e esse modo, vez após vez, traz sofrimento a ela ou a quem está por perto, e não dá para mudá-lo por força de vontade.

Cada palavra dessa definição importa, e nos próximos artigos, que já estou preparando, voltarei a elas. Mas antes, sobre de onde vem, afinal, a personalidade que depois pode «se transtornar».

De onde isso vem

Personalidade não se recebe ao nascer. Temperamento – sim: um bebê suporta tranquilo o barulho e mãos alheias, outro se desmancha em choro à menor mudança de ambiente ou ao ver estranhos. Um reage aos sons com interesse, outro, aos mesmos sons, com pranto. Já o modo de lidar com esse temperamento, com a proximidade, com a mágoa, com o poder alheio – a pessoa monta ao longo de anos, com o que estava à mão. E acontece de estarem à mão instrumentos acessíveis, mas ruins por princípio.

Se a criança que se estende às pessoas é rejeitada vez após vez, ela aprende a não se estender – e aos trinta anos vai acreditar sinceramente que não precisa de ninguém. Se os sentimentos da criança ora são inundados de atenção, ora nem percebidos, ela cresce com a sensação de que a proximidade é uma gangorra da qual a qualquer segundo a derrubam. Se o único jeito de receber amor é ser o melhor, a pessoa vai buscar admiração onde os outros simplesmente vivem.

Nenhuma dessas estratégias foi um erro no momento em que se formou. Cada uma era o melhor de que a criança dispunha – e de algum modo, mais ou menos, funcionava. O problema é que ela endurece e continua funcionando onde as condições há muito são outras: com o parceiro que não pretendia abandonar; com o chefe que apenas deu um retorno; com o próprio filho, que se estende a você exatamente como você um dia se estendia; com a amiga ou o amigo que, ao pedido de se encontrar, respondeu «agora não dá, estou ocupado».

Isso é o principal a se entender sobre transtornos de personalidade: não se trata de um defeito, e sim de uma estratégia de sobrevivência que sobreviveu à própria utilidade. Daí, aliás, a esperança – o que um dia foi aprendido pode ser desaprendido, e no lugar pode-se aprender outra coisa. Devagar, com resistência, mas é possível. Para isso é preciso percorrer um longo caminho, mas é possível. Chama-se comportamento e pensamento compensatório construtivo.

Sobre uma simplificação comum. Na internet gostam de explicar tudo por «trauma». Os transtornos de personalidade de fato se formam com mais frequência onde a infância foi pesada – mas não só ali[1]. Há a contribuição do temperamento, há particularidades da família que ninguém chamaria de trauma, há o simples desencontro entre a criança e o ambiente: uma criança quieta numa família barulhenta, ou uma sensível numa família em que sentimentos não se discutem. Procurar uma única causa é um beco sem saída.

Traço ou transtorno: três perguntas e onde está a essência

Eis o ponto em que a maioria das descrições na internet deixa o leitor na mão. Elas enumeram sinais – e na lista cada um se reconhece, porque os sinais foram tirados da vida humana comum. Todo mundo é desconfiado às vezes. Todo mundo às vezes teme ser abandonado. Todo mundo quer ser valorizado. Todo mundo quer atenção. Todo mundo, de vez em quando, prefere ficar sozinho.

A diferença entre um traço de caráter e um transtorno não está na presença do sinal, e sim em três coisas que vale checar antes de experimentar qualquer rótulo em si mesmo.

1. Estabilidade: foi sempre assim?

Transtorno de personalidade não aparece aos trinta e cinco depois de um divórcio. Ele se rastreia desde a adolescência, muitas vezes até antes – muda a forma, não a essência. Se aquilo que você notou em si começou depois de um evento concreto ou em determinado período, é antes uma reação ou um estado do que a estrutura da personalidade. Reações passam, estados se tratam, e a abordagem é outra.

2. Totalidade: é em toda parte?

O traço aparece de forma seletiva: com a mãe – sim, com os amigos – não; no trabalho – sim, em casa – não. O transtorno atravessa tudo: relações, trabalho, amizade, a relação consigo. Se a sua desconfiança só liga perto de uma pessoa específica, a pergunta é antes sobre essa relação do que sobre a personalidade.

3. Preço: isso quebra a vida?

A pergunta mais importante. Um traço pode ser marcante e até incômodo, mas a pessoa vive: trabalha, ama, tem amigos, se recupera dos golpes. No transtorno, algo disso sistematicamente não dá certo – as relações desmoronam pelo mesmo roteiro, a carreira emperra pelo mesmo motivo, a solidão ou os conflitos se reproduzem ano após ano, e a pessoa ou sofre ela mesma, ou sofrem os que estão por perto.

Se nas três é «sim», isso é motivo não para pânico, mas para uma conversa honesta com um profissional: diagnóstica, e não no formato de teste na internet. Se é «sim» só em uma ou duas – você, muito provavelmente, está lidando com um traço, uma acentuação ou um estado passageiro. Isso também pode merecer trabalho, mas a tarefa ali é outra e, em geral, mais curta.

Dez transtornos: o mapa

As classificações agrupam os transtornos de personalidade em três clusters – pelo modo como a pessoa parece vista de fora. A divisão é convencional e criticada, mas cômoda para um primeiro contato. Na tabela está o que a pessoa costuma trazer para a vida e para o consultório, não critérios diagnósticos.

Transtorno O que se repete na vida Com o que costumam chegar
Cluster A – «estranhos e distantes»
Paranoide O mundo é hostil, por trás de um gesto neutro sempre há intenção, confiar é perigoso Raramente vêm por si; mais por insistência dos próximos ou por conflitos no trabalho
Esquizoide Uma parede de vidro entre si e as pessoas; a proximidade não tanto assusta quanto não faz falta Com uma solidão que deixou de ser confortável, ou com a exigência do parceiro de «ser mais caloroso»
Esquizotípico Estranhezas de pensamento e percepção, explicação mágica dos eventos, dificuldade de ser «como todos» Com ansiedade, isolamento; aqui a diagnóstica é especialmente importante – a fronteira com o espectro é tênue
Cluster B – «dramáticos e impulsivos»
Borderline Gangorra de proximidade e ruptura, medo de ser abandonado, vazio por dentro, explosões, atos impulsivos Com relações destruídas, autolesão, a sensação de «não sei quem sou»
Narcisista Fachada de excepcionalidade e a rachadura por baixo; necessidade de admiração; fragilidade à crítica Por si – raramente. Mais frequentes são os filhos adultos desses pais, flagrando em si as mesmas reações
Histriônico A vida como palco: emoções à mostra, atenção a qualquer preço, relações mais vivas do que são Com a sensação de que as relações são superficiais e por dentro é vazio quando ninguém está olhando
Antissocial Regras são para os outros, a dor alheia não toca, o arrependimento não vem Praticamente não vêm de forma voluntária; o trabalho é possível, mas em condições especiais
Cluster C – «ansiosos e temerosos»
Evitativo A vida a meio passo das pessoas: quer-se proximidade, mas o medo da rejeição é mais forte Com «ansiedade social», solidão, estagnação na carreira – e motivação muito alta
Dependente Não consigo sem o outro: decisões, opinião, a própria possibilidade de viver – através de alguém Depois de uma ruptura ou perda, quando o apoio sumiu e ficou claro que não havia um próprio
Obsessivo-compulsivo O controle como único apoio; ordem, regras e trabalho mais importantes que pessoas e prazer Com burnout, conflitos por «estar certo», impossibilidade de relaxar

Para cada um – uma análise separada: como isso se vê por dentro e por fora, quais roteiros se repetem, como a vida se organiza e o que o trabalho dá. Os nomes na tabela levam a esses artigos; eles saem um por vez, e por enquanto nem todos os links abrem.

Como isso se dá no trabalho comigo

A tabela de dez linhas acima é um mapa cômodo, e eu o uso. Mas a psique humana não se parece com um mapa. Prefiro outra figura – o rombicosidodecaedro: um sólido caprichoso com dezenas de faces, e em cada uma está escrito algo próprio. Numa, o estranho; noutra, o tolo; na terceira, o vergonhoso; adiante, o assustador; e ao lado, o muito agradável. Tudo isso é a mesma psique, e ela atende à demanda com que a pessoa chega por inteiro, não com uma face só. Traumas, déficits, acontecimentos neutros e agradáveis montam essa figura ao longo de anos, e é ela que depois determina como a pessoa vai responder ao que acontecer amanhã.

Por isso não trabalho «com o transtorno». Trabalho com a história que montou essa figura e com o modo como ela se manifesta aqui mesmo, na nossa relação. O rótulo da tabela ajuda a se orientar na entrada e quase nada diz sobre o que vamos encontrar nas faces.

Para quem isso serve, e para quem – não

Aqui vale ser direto. Nenhuma das dez linhas da tabela é sentença, mas também não é motivo para se inscrever imediatamente «na terapia do transtorno de personalidade». É útil entender o que é para quem.

Se você fez um rastreio e obteve pontuação alta – isso é motivo para diagnóstica, e não diagnóstico. Questionários como o SCID-5-SPQ foram criados para selecionar quem passa por uma entrevista detalhada, não para dar laudo; a tarefa deles é dizer «aqui vale olhar com mais atenção». O que «olhar» define o profissional na conversa, e isso pode levar mais de um encontro.

Se você se reconheceu na descrição, mas vive: trabalha, ama, se recupera – provavelmente se trata de traços acentuados, e não de transtorno. É justamente com isso que a psicoterapia funciona melhor: traços que já atrapalham – destroem relações, empurram em círculos, aceleram a autocrítica –, mas ainda não tiraram a capacidade de pensar sobre si e de sustentar combinados. Isso, sinceramente, é o trabalho mais gratificante: há o que consertar e há onde se apoiar.

Se nas três perguntas é «sim», e a vida de fato está desmoronando – é preciso um profissional pronto para um trabalho longo, e às vezes também um médico: parte dos estados vem junto com depressão, transtornos de ansiedade ou dependências, e é sensato tratá-los em paralelo. No transtorno borderline, uma das opções será a terapia comportamental dialética – método criado especialmente para ele[4], com grupos de habilidades e apoio entre os encontros; mas ela também não é o único caminho, e não serve para todos.

Sobre uma combinação em separado. Quando traços borderline e narcisistas estão fortemente presentes ao mesmo tempo, o trabalho exige preparo específico e, em geral, a dupla «terapeuta mais psiquiatra». É o caso em que o profissional que nomeia honestamente os limites da própria competência é mais útil do que aquele que se compromete com tudo.

Como a vida se organiza sem ajuda

A resposta é incômoda: de modos diferentes, e muitas vezes – de forma suportável. Pessoas com traços acentuados vivem, trabalham e formam famílias por décadas. Transtorno de personalidade não é uma doença que vai matá-lo; é um modo de viver que custa caro, mas nem sempre acima das forças. No entanto, é frequente também que, com o tempo, com a idade, o transtorno de personalidade progrida.

O preço em geral não se vê de imediato, nem pela própria pessoa. Ele está no que se repete: o terceiro casamento desmorona pelo roteiro do primeiro; o emprego muda a cada dois anos pelo mesmo motivo; os amigos, que eram muitos aos vinte, aos quarenta sumiram para algum lugar; ou o contrário – há muita gente em volta, e por dentro a mesma solidão. Com a idade, a estratégia que salvava na juventude começa a falhar: o corpo suporta pior a carga, o entorno já não tolera o que antes perdoava, as forças para mais um recomeço do zero acabam.

Há também a parte boa dessa verdade: parte dos traços com os anos se suaviza sozinha – assim, a impulsividade na organização borderline depois dos quarenta costuma ficar bem mais quieta[2][3]. Mas «se suaviza» não quer dizer «passa»: o vazio e o medo de ficar só não vão a lugar nenhum, apenas ficam mais quietos e mais habituais. Porém – mais insistentes do que antes.

A terapia não promete transformar uma pessoa em outra. Ela faz o que a estratégia de sobrevivência não consegue fazer: mostra que há escolha onde antes havia reflexo – e dá tempo para treinar essa escolha.

O transtorno de personalidade tem tratamento e por onde começar

Não pelo rótulo. O rótulo é a menos confiável de todas as conclusões que se podem tirar de um texto na internet, inclusive deste.

  1. Cheque as três perguntas – estabilidade, totalidade, preço. Com honestidade, sem descontos e sem carregar nas tintas.
  2. Faça um rastreio, se quiser um quadro estruturado. Abaixo, dois instrumentos: um olha os dez transtornos de uma vez, o outro – especificamente os traços borderline. Nenhum dá diagnóstico; os dois mostram para onde olhar.
  3. Converse com um profissional – não para «se tratar», mas para entender. O encontro diagnóstico não obriga a nada: ele serve para distinguir traço de transtorno, e transtorno de um estado que se trata de outro modo e mais rápido.

Sobre como é organizado o trabalho com pessoas de traços de personalidade acentuados – o que acontece nas sessões, por que muitos chegam e vão embora, quais áreas da vida tocamos primeiro e como precisa ser o terapeuta para esse trabalho – uma página separada na seção «Como posso ajudar».

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Perguntas com que as pessoas chegam

O transtorno de personalidade tem tratamento?

Muda – sim, e isso está demonstrado para a maioria dos dez[5][6]; a palavra «curar» aqui é imprecisa, porque não se trata de uma doença, e sim de um modo de estar com as pessoas formado ao longo de décadas. A terapia reorganiza esse modo: primeiro na relação com o terapeuta, depois fora dela. Respondem melhor a ela o borderline e o evitativo[7][8]; o mais difícil é com o esquizoide e o narcisista. Os prazos são anos de trabalho regular, com as primeiras mudanças estáveis depois de alguns meses.

A quem recorrer: psicólogo ou psiquiatra?

Ao psiquiatra, se por cima há depressão, transtorno de ansiedade, dependência ou automutilação: isso se trata em paralelo, e sem isso o trabalho com os traços patina. Ao psicólogo ou psicoterapeuta disposto a um trabalho longo – pela estratégia em si. Bom sinal é o profissional que diz de saída com o que não trabalha; «atendo tudo» nessa área é sempre mau sinal.

É preciso um diagnóstico para começar a terapia?

Não. Uma triagem como o SCID-5-SPQ seleciona para uma entrevista detalhada, não dá diagnóstico, e a terapia começa não pelo rótulo, mas pelo que se repete e atrapalha. O encontro diagnóstico serve a outra coisa: distinguir um traço de um transtorno, e um transtorno de um estado que se trata de outro modo e mais rápido.

Fontes

(pesquisei a fundo de propósito, para não parecer um fantasiador sem provas)

  1. Johnson J. G., Cohen P. et al. Childhood maltreatment increases risk for personality disorders during early adulthood. Archives of General Psychiatry, 1999. PubMed
  2. Zanarini M. C., Frankenburg F. R. et al. Attainment and stability of sustained symptomatic remission and recovery among patients with borderline personality disorder and axis II comparison subjects: a 16-year prospective follow-up study. American Journal of Psychiatry, 2012. PubMed
  3. Gunderson J. G., Stout R. L. et al. Ten-year course of borderline personality disorder: psychopathology and function from the Collaborative Longitudinal Personality Disorders study. Archives of General Psychiatry, 2011. PubMed
  4. Linehan M. M., Armstrong H. E. et al. Cognitive-behavioral treatment of chronically parasuicidal borderline patients. Archives of General Psychiatry, 1991. PubMed
  5. Lenzenweger M. F., Johnson M. D. et al. Individual growth curve analysis illuminates stability and change in personality disorder features: the longitudinal study of personality disorders. Archives of General Psychiatry, 2004. PubMed
  6. Skodol A. E., Gunderson J. G. et al. The Collaborative Longitudinal Personality Disorders Study (CLPS): overview and implications. Journal of Personality Disorders, 2005. PubMed
  7. Cristea I. A., Gentili C. et al. Efficacy of Psychotherapies for Borderline Personality Disorder: A Systematic Review and Meta-analysis. JAMA Psychiatry, 2017. PubMed
  8. Grilo C. M., Sanislow C. A. et al. Two-year stability and change of schizotypal, borderline, avoidant, and obsessive-compulsive personality disorders. Journal of Consulting and Clinical Psychology, 2004. PubMed
Para colegas e estudantes

O texto acima foi escrito, de propósito, para a pessoa, e não para o especialista. Alguns esclarecimentos para quem precisa de apoio nas classificações.

O DSM-5 mantém o modelo categorial – dez transtornos em três clusters – e propõe na Seção III um modelo alternativo, híbrido: nível de prejuízo no funcionamento da personalidade mais traços patológicos em cinco domínios. A CID-11 abandonou por completo as categorias: diagnostica-se a gravidade (leve, moderada, grave) e especificam-se os traços dominantes – afetividade negativa, distanciamento, dissocialidade, desinibição, anancastia – além de um qualificador separado de «padrão borderline». No site há o PDS-ICD-11 e o FFiCD – ambos para esse modelo.

O SCID-5-SPQ é um rastreio de autorrelato para a entrevista estruturada SCID-5-PD; sensibilidade alta, especificidade moderada, resultado positivo exige entrevista. Pontos de corte e detalhes – na página do instrumento.

Referências

  • American Psychiatric Association. Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders, 5th ed., text revision (DSM-5-TR). 2022.
  • WHO. ICD-11 Clinical Descriptions and Diagnostic Requirements: 6D10 Personality disorder. 2024.
  • First M. B., Williams J. B. W., Benjamin L. S., Spitzer R. L. Structured Clinical Interview for DSM-5 Personality Disorders (SCID-5-PD). APA, 2016.
  • Bateman A., Fonagy P. Handbook of Mentalizing in Mental Health Practice, 2nd ed. APA Publishing, 2019.

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